Em dias de chuva como hoje, fico reflexiva...
Sabe quando você tem um monte de coisas para fazer, mas a vontade é de ficar parada no canto com cara de paisagem pensando? Ou no meu caso, escrevendo...
É que às vezes sinto essa necessidade, vontade de falar, esbravejar, gritar, reclamar, mostrar ao mundo minha indignação acerca de alguns assuntos. E assunto que vem me deixando indignada ultimamente é a não obrigatoriedade do diploma de jornalista.
O destino de dezenas de milhares de brasileiros portadores de diploma superior de Jornalismo foi afetado por um julgamento levado a cabo por magistrados do STF (Superior Tribunal Federal) que demonstraram não saber o que estavam julgando. Eles falavam do direito à livre expressão do pensamento. Mas o que deveria estar em julgamento era outra coisa completamente diferente: a obrigatoriedade ou não do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. O pior de tudo é que eles pareciam nem ter se dado conta dessa diferença.
Essa decisão mostra o enorme poder político e econômico dos interessados no fim do diploma e da tradição de pouca confiabilidade de nosso sistema judiciário.
Como diz o jornalista e professor universitário Tomás Barreiros: “A exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista tem tanto a ver com o direito à livre expressão do pensamento quanto a exigência de Carteira Nacional de habilitação com o direito constitucional de ir e vir. Pela lógica dos juízes do Supremo, qualquer cidadão poderia dirigir - caso contrário, estaria tolhido na sua liberdade de ir e vir. Pela mesma lógica, os cidadãos poderão prescindir do trabalho dos advogados, em qualquer circunstância, em nome do direito constitucional à ampla defesa”.
Parece absurdo não? assim como é absurdo relacionar a exigência do diploma com a limitação à livre expressão do pensamento.
Esperemos agora as consequências do fato. Aguardem cenas do próximo capítulo!
Roberta Bittencourt
(só mais uma jornalistazinha diplomada)
Hélio Jorge Corde
Ter 30 Jun 2009 19:50